Chegar em Paris e se deparar com Navigo, ticket t+, Paris Visite e bilhete único de uma vez só costuma travar até quem já organizou a viagem com cuidado. A boa notícia é que o sistema mudou bastante nos últimos dois anos e, hoje, está mais simples do que era — só falta saber qual passe combina com o seu roteiro.
Este guia explica o que existe atualmente, quanto custa cada opção em 2026 e, principalmente, em que momento cada passe compensa de verdade. Sem chute: os valores abaixo vêm direto das tabelas oficiais da Île-de-France Mobilités, o órgão que administra o transporte público da região parisiense.

Dica: Aproveite também para fazer estes passeios em Paris
Tour pelo exterior da catedral de Notre Dame + Ingresso da cripta . Duração: 2 horas
Disneyland Paris Duração: 3 horas ou mais
Passeio de barco pelo Sena. Duração: 1h
Ingresso do 3º andar da Torre Eiffel. Duração: 2 a 3 horas
Ingresso do Palácio de Versalhes. Duração: 2 a 3 horas
Veja mais passeio em Paris aqui.
O fim do ticket t+: o que mudou em 2025 e 2026
Se você leu algum relato de viagem antigo, deve ter visto menções ao “ticket t+”, aquele bilhete de papelão que servia para uma viagem de metrô, RER ou bus dentro de Paris. Ele não existe mais. Desde janeiro de 2025, a Île-de-France Mobilités substituiu o t+ e os antigos bilhetes Origem-Destino por um sistema de tarifa única, válido em toda a região, sem mais zonas para calcular no metrô.
Os bilhetes de papelão continuaram circulando por um período de transição, mas a venda deles parou em novembro de 2025. Quem ainda guarda algum ticket t+ na carteira pode usá-lo no metrô até o outono de 2026, mas para todo planejamento de viagem o que importa agora é o sistema novo, descrito abaixo.
Bilhete único: Métro-Train-RER e Bus-Tram
O bilhete avulso atual tem dois preços, dependendo do meio de transporte. Para metrô, RER e trem Transilien, custa €2,55 por viagem, com direito a baldeação dentro do sistema ferroviário dentro de um intervalo de tempo. Para ônibus e bonde, o preço cai para €2,05, e dá para trocar de uma linha de bus para outra dentro de 1h30 sem pagar de novo.
A diferença em relação ao sistema antigo é que agora a distância não importa. Pegar o RER da Gare du Nord até o Champ de Mars custa o mesmo que uma viagem de duas estações de metrô. Isso facilita o cálculo, mas também significa que viagens curtas ficaram, na prática, um pouco mais caras do que eram com o t+ tradicional.
Esses bilhetes podem ser comprados em cartão sem contato Navigo Easy (vendido por €2 nas máquinas e estações), pelo aplicativo Île-de-France Mobilités ou Bonjour RATP, ou diretamente aproximando cartão de crédito contactless ou celular nas catracas de metrô — essa última opção, aliás, é a mais prática para quem está de passagem e não quer comprar cartão algum.

Navigo Découverte e Navigo Semaine: como funciona
Para quem vai ficar mais de três ou quatro dias na cidade, o cartão Navigo Découverte é, na maioria dos casos, a opção mais vantajosa. Ele custa €5 (taxa única, não reembolsável, paga só na primeira vez) e nele você carrega o passe Navigo Semaine, que sai por €32,40 e vale para todas as zonas da região — incluindo os trajetos até os aeroportos de Charles de Gaulle e Orly.
O detalhe que pega muita gente de surpresa: o Navigo Semaine não vale por sete dias a partir da compra. Ele segue um calendário fixo, de segunda a domingo, e só pode ser comprado a partir da sexta-feira anterior à semana de uso. Isso significa que, se você chegar numa quarta-feira, o passe semanal vai cobrir só até o domingo seguinte — e o valor é o mesmo, mesmo cobrindo menos dias. Para uma estadia de quarta a quarta, por exemplo, vale considerar combinar alguns dias de bilhete único antes de começar a nova semana Navigo.
Existe também o Navigo Mensal, por €90,80, mas ele só compensa para quem vai morar ou ficar mais de um mês na cidade — não é o caso da maioria dos turistas.
Paris Visite: vale a pena para turistas?
O Paris Visite é o passe pensado especificamente para visitantes, com a vantagem de poder começar em qualquer dia da semana — diferente do Navigo Semaine. Ele existe em duas versões de cobertura geográfica e quatro durações.
Zonas 1 a 3 (Paris e região mais próxima)
1 dia: €13,20 | 2 dias: €21,50 | 3 dias: €29,40 | 5 dias: €42,20.
Zonas 1 a 5 (inclui Versalhes, Disneyland Paris e os aeroportos CDG e Orly)
1 dia: €30,60 | 2 dias: €45,40 | 3 dias: €63,80 | 5 dias: €78,00.
A versão de zonas 1-3 cobre praticamente tudo o que um turista visita dentro da cidade — Torre Eiffel, Louvre, Montmartre, Notre-Dame, Marais. Já a versão estendida só faz sentido se você for usar o RER para ir e voltar de Versalhes ou da Disneyland no mesmo período de validade do passe, porque pagar a versão cara só para o trajeto do aeroporto raramente compensa frente a comprar um bilhete único avulso para esse trecho.

Qual passe escolher: simulações práticas
Os números ajudam mais do que qualquer regra geral. Veja três cenários comuns:
Fim de semana de 2 dias, ficando perto do centro
Em dois dias de visita intensa, é comum fazer de 4 a 6 viagens de metrô por dia. Isso dá entre 8 e 12 bilhetes únicos, ou seja, algo entre €20,40 e €30,60 em bilhetes avulsos. O Paris Visite de 2 dias (zonas 1-3) custa €21,50 — fica no limite, então a escolha depende de quanto você pretende se deslocar. Se o roteiro for caminhar bastante e usar o metrô só ocasionalmente, os bilhetes avulsos saem mais baratos.
Uma semana cheia, de segunda a domingo
Aqui o Navigo Semaine quase sempre ganha. Com €32,40 (mais €5 do cartão na primeira vez), você roda o quanto quiser, qualquer hora, em qualquer zona. Para empatar esse valor em bilhetes avulsos, seriam necessárias cerca de 13 viagens de metrô na semana — menos de 2 por dia. Quem visita museus, bairros diferentes e faz passeios de um dia já bate essa marca facilmente.
Chegando num dia de semana qualquer, ficando 4 dias
Como o Navigo Semaine só cobre até domingo, quem chega numa terça e sai no sábado, por exemplo, perde dias do passe semanal. Nesse caso, o Paris Visite de 3 ou 5 dias, que começa a contar a partir do primeiro uso, tende a ser mais previsível e, às vezes, até mais barato.
Por que Paris simplificou o sistema de bilhetes
A reforma de 2025 não foi um capricho. Durante décadas, o sistema de zonas concêntricas (1 a 5) determinava o preço de cada trajeto, e turistas perdiam um tempo enorme tentando entender em que zona ficava cada estação antes de comprar o bilhete certo. Os Jogos Olímpicos de Paris 2024 aceleraram a discussão: a cidade recebeu milhões de visitantes em poucas semanas e o governo regional viu a tarifa única como forma de reduzir filas nas máquinas e erros de compra.
O resultado prático, hoje, é que ninguém mais precisa abrir um mapa de zonas para saber se um bilhete serve para determinado trajeto dentro do sistema de metrô e RER — o que sobra de complexidade está mais nos passes (Navigo, Paris Visite) do que nos bilhetes avulsos em si.
Combinando Paris Visite com Versalhes ou Disneyland
Pegue um exemplo concreto. Uma família que vai passar três dias em Paris e dedicar um desses dias a Versalhes pode comparar assim: o Paris Visite de 3 dias em zonas 1-5 custa €63,80 por pessoa. Alternativa: ficar com bilhetes avulsos ou Navigo Semaine para os dois dias na cidade e comprar só a ida e volta de RER C até Versalhes no dia da excursão — normalmente dois bilhetes únicos de €2,55, ou seja, cerca de €5,10 adicionais àquele dia. Quase sempre a segunda conta sai mais barata, a menos que a família vá fazer várias excursões de zona estendida na mesma janela de dias do passe.
A exceção é quando o grupo já sabe que vai emendar Versalhes, Disneyland Paris e o aeroporto dentro do mesmo período de 2, 3 ou 5 dias — nesse caso específico, o Paris Visite de zonas 1-5 evita ficar comprando bilhete avulso a cada trajeto e ainda dá previsibilidade de orçamento antes da viagem.
Onde e como comprar cada passe
Todos os bilhetes e passes citados aqui podem ser comprados nas máquinas amarelas dentro das estações de metrô e RER, nas bilheterias com atendente (cada vez mais raras), ou pelos aplicativos oficiais Île-de-France Mobilités e Bonjour RATP, que permitem carregar o passe direto no celular sem precisar de cartão físico. As máquinas aceitam cartão de crédito internacional na maioria das estações centrais, mas é bom ter algum dinheiro em euros como plano B, porque nem toda máquina aceita todos os cartões estrangeiros sem problema.
Para o cartão físico Navigo Découverte, é necessário apresentar uma foto 3×4 (pode ser impressa ou, em algumas estações, tirada ali mesmo por uma máquina) e ele é emitido na hora, sem custo além da taxa de €5.

Erros comuns e dicas para não perder dinheiro
Comprar passe de zona errada é o erro mais frequente. Muita gente compra o Paris Visite de zonas 1-5 pensando que vai precisar dele, mas termina nunca saindo do centro de Paris — nesse caso, pagou caro por uma cobertura que não usou.
Outro deslize é comprar o Navigo Semaine numa quinta ou sexta de uma viagem que termina no fim de semana seguinte: o passe vira inútil quase imediatamente, porque a semana já está acabando. Antes de comprar, vale fazer a conta de quantos dias da semana corrente ainda restam.
Por fim, segure os recibos e comprovantes de compra do Navigo até o fim da viagem. Em fiscalizações dentro do metrô — que acontecem com frequência e têm multa pesada para quem está sem bilhete válido — ter o comprovante ajuda a resolver qualquer mal-entendido na catraca ou no cartão.
Perguntas frequentes
O ticket t+ ainda pode ser usado em 2026?
Os bilhetes de papelão t+ que já estavam em circulação continuam aceitos no metrô até o outono de 2026, mas não são mais vendidos desde novembro de 2025. Para qualquer compra nova, o sistema é o bilhete único ou os passes Navigo e Paris Visite.
Crianças pagam passe de transporte em Paris?
Crianças até 3 anos não pagam nada. Confirme as condições de meia-tarifa para crianças maiores diretamente no site oficial da Île-de-France Mobilités antes da viagem, porque as regras de idade têm pequenos ajustes de tempos em tempos.
O Navigo Semaine cobre o trajeto até o aeroporto?
Sim, o Navigo Semaine para todas as zonas inclui RER B até Charles de Gaulle e Orlyval/RER C até Orly, sem custo adicional, desde que a viagem aconteça dentro da semana de validade do passe.
Vale a pena comprar o passe antes de viajar, ainda no Brasil?
Não é necessário. Os passes e bilhetes mencionados aqui são vendidos nas próprias estações e aplicativos no momento da chegada, sem necessidade de reserva prévia.
Com esses números na mão, fica mais fácil decidir na hora: conte os dias da viagem, estime quantas viagens de metrô fará por dia e compare com os valores acima. Para entender o resto do funcionamento do metrô e RER — linhas, estações de conexão, horários — continue no guia completo de como se locomover em Paris.






