Paris tem tanta coisa para ver que é fácil esquecer que a cidade também é o ponto de partida perfeito para escapadas rápidas. Com o TGV, o trem de alta velocidade da França, dá para sair de uma estação parisiense de manhã, visitar uma catedral gótica com 800 anos de história, almoçar numa praça medieval e estar de volta ao hotel antes do jantar.
Duas cidades resolvem bem esse roteiro: Reims, onde os reis da França eram coroados, e Chartres, dona dos vitrais mais admirados do país. Nenhuma das duas exige reserva de hotel, e o trem leva menos tempo do que muita gente imagina.

Dica: Aproveite também para fazer estes passeios em Paris
Tour pelo exterior da catedral de Notre Dame + Ingresso da cripta . Duração: 2 horas
Disneyland Paris Duração: 3 horas ou mais
Passeio de barco pelo Sena. Duração: 1h
Ingresso do 3º andar da Torre Eiffel. Duração: 2 a 3 horas
Ingresso do Palácio de Versalhes. Duração: 2 a 3 horas
Veja mais passeio em Paris aqui.
Por que o TGV muda o jogo das viagens de um dia saindo de Paris
Um trem regional comum levaria horas para cobrir a mesma distância. O TGV, abreviação de “Train à Grande Vitesse”, roda a mais de 300 km/h em boa parte do trajeto e encurta viagens que, de carro, consumiriam a manhã inteira só de deslocamento.
Isso muda completamente o cálculo de um bate-volta. Em vez de escolher entre “ver Paris” ou “sair de Paris”, você faz as duas coisas na mesma viagem, sem abrir mão de uma noite de sono na capital. Reims fica a cerca de 140 km, Chartres a uns 90 km — distâncias que no Brasil levariam de duas a quatro horas de estrada e que aqui se resolvem em menos de uma hora e meia.
Outro detalhe que pega muita gente desprevenida: as duas cidades partem de estações diferentes. Os trens para Reims saem da Gare de l’Est, na zona leste de Paris. Os trens para Chartres partem da Gare Montparnasse, no lado oposto da cidade. Vale checar isso com antecedência para não correr o risco de errar de estação na hora H.
Reims: a catedral onde a França coroava seus reis
Reims carrega um peso histórico que poucos lugares na França conseguem igualar. Foi ali, na Cathédrale Notre-Dame de Reims, que praticamente todos os reis franceses — de Clóvis a Carlos X — receberam a coroa entre os séculos 9 e 19. A fachada gótica, com suas torres de mais de 80 metros e a fileira de estátuas de anjos sobre o pórtico central, é um dos exemplos mais completos da arquitetura gótica francesa que sobreviveram até hoje.
A catedral também é um monumento à reconstrução. Bombardeios da Primeira Guerra Mundial destruíram boa parte do teto e danificaram seriamente as esculturas externas. A restauração, financiada em parte por doações americanas (incluindo a família Rockefeller), levou décadas e é por isso que hoje boa parte da pedra externa tem um tom mais claro que o interior, ainda escurecido pelo tempo.
A entrada na catedral é gratuita. Reserve pelo menos 40 minutos para caminhar pela nave central e observar os vitrais — alguns medievais, outros assinados por Marc Chagall na capela do eixo central, instalados na década de 1970. Esse contraste entre vidro do século 13 e vidro do século 20 dentro do mesmo edifício é raro de ver em qualquer outro lugar.

O que fazer em Reims além da catedral
Reims é também a capital não oficial da região de Champagne, e isso significa caves subterrâneas que guardam milhões de garrafas envelhecendo no escuro. Casas como Taittinger, Pommery e Veuve Clicquot oferecem visitas guiadas pelas suas crayères — galerias escavadas na pedra calcária, algumas datando da época romana — terminadas com degustação. As visitas costumam exigir reserva antecipada, principalmente em fins de semana e na alta temporada de verão.
Quem prefere caminhar sem compromisso encontra no centro histórico de Reims o Palácio do Tau, antiga residência dos arcebispos, e a Basílica de Saint-Remi, menos visitada que a catedral principal mas igualmente impressionante por dentro. A região central da cidade é compacta: é possível ver os principais pontos a pé em meio período, sobrando tempo para uma das casas de champanhe à tarde.
Chartres: os vitrais que escaparam de duas guerras mundiais
Se Reims é sobre coroação e poder, Chartres é sobre luz. A Cathédrale Notre-Dame de Chartres guarda o conjunto de vitrais medievais mais completo e bem preservado da França — cerca de 150 janelas originais, em boa parte datadas dos séculos 12 e 13. O azul profundo usado nesses vitrais ficou conhecido como “bleu de Chartres” e nunca foi totalmente reproduzido por vidreiros posteriores.
O motivo de tanta coisa ter sobrevivido intacta é quase um milagre administrativo: durante as duas guerras mundiais, os vitrais foram desmontados peça por peça e guardados longe da linha de frente, voltando ao lugar somente depois do fim dos combates. Outras catedrais francesas perderam boa parte de seus vitrais originais por descuido ou bombardeio; Chartres não.
A catedral é Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979 e a entrada na nave principal também é gratuita. Quem quiser subir a torre norte por uma vista da cidade e da região de trigais ao redor paga um ingresso separado — vale a pena se o dia estiver claro, mas confirme o horário de funcionamento no site oficial antes de ir, já que pode variar por estação do ano.

Chartres além da catedral
A cidade baixa, às margens do rio Eure, tem casas de madeira inclinadas, pontes pequenas e moinhos antigos que valem uma caminhada de uns 30 minutos depois da visita à catedral. Quem gosta de fotografia vai preferir o fim da tarde, quando a luz lateral bate nas fachadas da Rue de la Tannerie.
Reims e Chartres no mesmo dia? Por que isso não funciona bem
É tentador pensar em encaixar as duas cidades numa única manhã maluca, mas a logística não ajuda. Reims fica a leste de Paris, Chartres a sudoeste, e como partem de estações diferentes (Gare de l’Est e Gare Montparnasse), você perderia um tempo enorme cruzando a capital de uma ponta a outra entre os dois trajetos.
O resultado prático de tentar fazer as duas: você passa mais tempo dentro de trens e do metrô parisiense do que efetivamente visitando qualquer uma das catedrais. Separe os passeios em dois dias diferentes da sua viagem — mesmo que não sejam consecutivos — e aproveite cada cidade com calma, sem olhar o relógio toda hora.

Outras viagens de um dia possíveis de TGV saindo de Paris
Reims e Chartres são só a porta de entrada. A malha de trens de alta velocidade que parte de Paris alcança praticamente todos os cantos do país em poucas horas, o que abre um leque grande de bate-voltas para quem fica hospedado na capital por uma ou duas semanas.
Lille, no norte, fica a pouco mais de uma hora da Gare du Nord e mistura arquitetura flamenga com uma cena gastronômica forte. Orléans, às margens do Loire, serve de porta para os primeiros castelos do vale do rio. E quem prefere praia e Mediterrâneo encontra em Marselha e Avignon opções mais longas, de três horas, mas ainda viáveis para quem sai bem cedo. Cada uma dessas cidades merece seu próprio planejamento, mas o princípio é o mesmo: o trem de alta velocidade francês transforma distâncias que pareciam grandes em passeios de algumas horas.
Como comprar passagem de TGV sem pagar caro
O preço de um bilhete de TGV varia muito conforme a antecedência da compra. Reservar com um mês ou mais costuma garantir as tarifas mais baixas; comprar na véspera ou no próprio dia pode custar o dobro ou o triplo do valor mínimo, especialmente em horários de pico nas manhãs de sexta e domingos à noite.
A SNCF Connect é o canal oficial para comprar passagens, mas vale comparar com a OUIGO, a marca de baixo custo da própria SNCF, que costuma ter tarifas bem mais baixas para os mesmos trajetos — a diferença está em menos flexibilidade para trocar de horário e bagagem mais limitada. Para trajetos como Paris-Chartres, com dezenas de partidas diárias, costuma haver bastante margem para escolher um horário com preço melhor sem comprometer o passeio.
Outra dica prática: assentos não são sempre obrigatoriamente marcados em todos os trens, mas no TGV de longa distância a reserva de lugar normalmente já vem incluída no preço da passagem. Confirme o número do assento e do vagão impresso no bilhete antes de embarcar, porque as plataformas de estações grandes como a Gare de l’Est mudam com frequência e ficam visíveis no painel só perto da hora da partida.
Perguntas frequentes sobre bate-voltas de TGV saindo de Paris
Preciso comprar a passagem com muita antecedência?
Não é obrigatório, mas ajuda bastante no preço. Para Chartres, com trens frequentes durante o dia, dá para comprar até na própria estação sem grande risco de ficar sem vaga. Para Reims, principalmente em fins de semana de verão, comprar com alguns dias de antecedência evita pagar mais caro de última hora.
As catedrais cobram entrada?
A nave principal de ambas as catedrais — Reims e Chartres — é gratuita. Acessos extras, como a subida às torres ou visitas guiadas a partes restritas, têm ingresso separado e valores que mudam conforme a época. Confirme preços e horários atualizados no site oficial de cada catedral antes da visita.
Quanto tempo é razoável reservar para cada cidade?
Um período do dia (manhã ou tarde) já é suficiente para ver o essencial de Chartres. Reims pede um pouco mais, principalmente se você incluir uma visita a uma casa de champanhe — nesse caso, vale separar o dia inteiro.
É melhor ir num dia de semana ou no fim de semana?
Dias de semana, fora de feriados franceses, tendem a ter trens mais baratos e cidades menos cheias. Fins de semana de verão concentram tanto turistas quanto moradores de Paris fazendo o mesmo passeio, o que deixa as catedrais e os centros históricos visivelmente mais movimentados.
Preciso de algum documento especial para esses trajetos?
Não — são trens domésticos dentro do território francês, sem qualquer controle de fronteira ou imigração. Basta levar a passagem (impressa ou no celular) e, se for o caso, documento de identidade, já que a SNCF realiza fiscalizações aleatórias durante o trajeto.
Reims e Chartres mostram dois lados bem diferentes da França fora de Paris: uma cidade ligada à monarquia e ao champanhe, outra dominada pela luz colorida dos seus vitrais. Com o TGV, nenhuma das duas exige sacrificar uma noite de hospedagem na capital — e isso, na prática, é o que torna esse tipo de bate-volta tão fácil de encaixar em qualquer roteiro por Paris.






