Paris tem dois cemitérios famosos. Todo mundo conhece o Père Lachaise — Jim Morrison, Édith Piaf, Oscar Wilde, filas de turistas o ano inteiro. O Cimetière de Montmartre é diferente. Menos fama internacional, mas uma coisa que o Père Lachaise perdeu faz tempo: silêncio. E alguns túmulos que nenhum outro cemitério de Paris tem.
Este guia traz tudo para você visitar o Cemitério de Montmartre: quem está enterrado lá, como chegar, o que esperar, e por que esse cemitério num vale abaixo do nível da rua pode ser um dos passeios mais inesperados da cidade.

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O que é o Cemitério de Montmartre?
Fundado em 1825, o Cimetière de Montmartre é um dos três grandes cemitérios criados por Napoleão para desafogar os enterros dentro da cidade — junto com o Père Lachaise (leste) e o Montparnasse (sul). Fica numa pedreira desativada abaixo do nível da rua no 18º arrondissement, numa situação topográfica única: você desce para entrar. O barulho do bairro some, as pontes da avenue Rachel passam por cima, e de repente você está num outro tempo.
São cerca de 20 hectares de aleias arborizadas, mausoléus imponentes e esculturas funerárias do século XIX. Muita coisa bem conservada, outra parte deixada no abandono bonito que os cemitérios históricos acumulam com os anos. É um lugar para andar devagar.
Quem está enterrado no Cemitério de Montmartre?
Aqui mora a grande surpresa. O Cemitério de Montmartre guarda alguns nomes pesados da cultura francesa e europeia — só que menos turísticos do que os do Père Lachaise.
Dalida
A cantora de origem egípcia que se tornou um dos maiores ídolos da França. O túmulo de Dalida é o mais visitado do cemitério — tem flores frescas quase o tempo todo, colocadas por fãs que vêm de toda a Europa. A escultura em bronze, com expressão serena, foi feita pelo escultor Aslan. A casa onde ela morou, na rue d’Orchampt, fica a poucos quarteirões do cemitério.
Edgar Degas
O pintor impressionista das bailarinas está enterrado aqui num túmulo discreto — bem diferente da ostentação dos mausoléus vizinhos. Degas morreu em 1917 e está no mesmo setor de vários outros artistas do período impressionista.
François Truffaut
Um dos diretores mais importantes da Nouvelle Vague, o homem por trás de “Os 400 Golpes” e “Jules e Jim”. O túmulo de Truffaut é simples, com frequência marcado por bilhetes de cinéfilos que fazem questão de visitar.
Heinrich Heine
O poeta romântico alemão viveu e morreu em Paris. Seu túmulo, com lápide ornamentada, é ponto de visita para quem gosta de literatura alemã e francesa — Heine escreveu parte de sua obra em francês, e Paris era sua segunda pátria.
Outros nomes notáveis
O cemitério guarda também o pintor Théodore Géricault (autor de “A Balsa da Medusa”), o compositor Jacques Offenbach (criador dos “Contos de Hoffmann” e do can-can original do Moulin Rouge), e o escritor Stendhal. Para os amantes de ópera e literatura, é um passeio com camada extra de significado.

Como Visitar o Cemitério de Montmartre
Endereço e como chegar
O cemitério fica na Avenue Rachel, 20, no 18º arrondissement. A entrada principal está numa rua que corre abaixo da Avenue de Clichy — uma das entradas mais curiosas de qualquer cemitério de Paris, com uma ponte de rua passando literalmente por cima do espaço. Metrô mais próximo: Blanche (linha 2) ou Place de Clichy (linhas 2 e 13), ambas a menos de 10 minutos a pé.
Horários
Segunda a sexta das 8h às 17h30 (até 18h no verão); fins de semana e feriados abre às 8h30. Os horários variam levemente entre verão e inverno. Entrada gratuita.
Por que o Cemitério de Montmartre Merece Mais Atenção do que Recebe
O problema com o Cemitério de Montmartre é simples: ele vive à sombra do Père Lachaise. A fama de um suprime a curiosidade pelo outro, e a maioria dos turistas em Paris nem sabe que o cemitério existe até esbarrar com ele durante uma caminhada pelo bairro.
Mas quem entra geralmente sai impressionado. A combinação de arte funerária de alto nível, nomes históricos importantes, e uma atmosfera de silêncio genuíno cria uma experiência difícil de replicar em qualquer outro ponto da cidade. Paris tem museus, monumentos e jardins de sobra — mas silêncio verdadeiro, desse que deixa você ouvir seus próprios pensamentos, é raro. O Cemitério de Montmartre tem isso.
Há também a questão do contexto. Visitar o cemitério dentro de um roteiro por Montmartre faz muito sentido — o bairro inteiro tem essa qualidade nostálgica que combina bem com uma hora e meia andando entre túmulos históricos. Você sai de lá com uma visão diferente do bairro, menos postal e mais humana.
O que Esperar da Visita: Atmosfera e Dicas Práticas
A primeira coisa que chama atenção é o silêncio. O cemitério fica numa espécie de vale abaixo do nível da rua, cercado por muros e pela colina de Montmartre. O barulho da Avenida de Clichy desaparece quase que imediatamente quando você desce os degraus da entrada. É uma transição estranha e bonita ao mesmo tempo.
Aleias arborizadas, bem cuidadas. No outono, as folhas cobrem os caminhos de pedra e criam aquela atmosfera que qualquer fotógrafo persegue. Na primavera, flores aparecem ao redor dos túmulos mais antigos. Em qualquer época, a luz que filtra pelas árvores é especial.

O cemitério não é enorme — dá para caminhar tudo em uma hora e meia a duas horas sem pressa. Na entrada, costuma haver um mapa gratuito com a localização dos túmulos mais famosos. Se não tiver, os funcionários indicam.
Uma dica de rota: entre pela Avenue Rachel, vire à esquerda logo na entrada e siga a aleia principal. O túmulo de Dalida fica relativamente próximo, no setor 15. De lá, siga para o centro e explore os mausoléus neoclássicos maiores. A área sul tem os túmulos mais antigos, alguns em estado de abandono poético.
A Arte Funerária do Cemitério de Montmartre
Mesmo para quem não sabe nada sobre os famosos enterrados lá, o cemitério vale a visita pela arte. Os mausoléus do século XIX são pequenas obras de arquitetura — famílias abastadas da burguesia parisiense competiam para ter o túmulo mais imponente, e o resultado é uma mistura de estilos que vai do neoclássico ao art nouveau.
As esculturas funerárias são o destaque. Anjos em pedra de tamanhos variados, figuras femininas em posição de luto, bustos de bronze que resistem ao tempo melhor do que as flores que alguém deixou na semana passada. Muitas foram encomendadas a escultores conhecidos do período — o que transforma o cemitério num museu ao ar livre de escultura oitocentista.
Fotografar é permitido e muito recompensador. A luz filtrada pelas árvores nas manhãs de outono cria condições perfeitas para fotos com aquela atmosfera que não se fabrica em estúdio. Chegue cedo se quiser o cemitério quase vazio — antes das 10h nos dias úteis, você praticamente tem o lugar para si.
A prefeitura de Paris organiza visitas guiadas gratuitas aos cemitérios históricos durante alguns fins de semana do ano — vale verificar o calendário antes da viagem.
Cemitério de Montmartre vs. Père Lachaise: Qual Visitar?
Se você tem tempo para visitar só um, o Père Lachaise tem mais nomes internacionalmente conhecidos e uma área maior. Mas a experiência é bem diferente: o Père Lachaise costuma ter turistas em grupo, guias turísticos, e um fluxo considerável de visitantes em qualquer dia.
O Cemitério de Montmartre é mais tranquilo, mais fácil de explorar por conta própria, e tem uma ligação especial com o bairro em volta. Combiná-lo com uma caminhada por Montmartre — descendo pela rue Lepic depois, parando num café na Place des Abbesses — é um roteiro de meio dia que funciona muito bem.
Se você tem dois dias ou mais em Paris, visite os dois. São experiências complementares, não redundantes.
Como Combinar o Cemitério com um Roteiro por Montmartre
O cemitério fica a menos de 15 minutos a pé do Sacré-Cœur. Um roteiro possível de manhã: chegue às 8h30 (quando abre nos fins de semana), passe uma hora e meia explorando, saia pela Avenue Rachel e suba pelas escadarias da rue Lepic ou pelo funicular até o Sacré-Cœur.
No caminho, passe pela Place des Abbesses — a estação de metrô mais bonita de Paris, com portões art nouveau originais de Hector Guimard. Boas padarias e cafés nos arredores para um café da manhã tardio.
Outra rota: combine o cemitério com a casa de Dalida na rue d’Orchampt e o busto da cantora na Place Dalida, a 400 metros do cemitério. Para os fãs, é um percurso com muita carga emocional.

Informações Práticas para a Visita
- Endereço: 20 Avenue Rachel, Paris 75018
- Metrô: Blanche (linha 2) ou Place de Clichy (linhas 2 e 13) — 5 a 10 min a pé
- Horários: Seg–Sex 8h–17h30 (18h no verão); Sáb–Dom e feriados 8h30–17h30
- Entrada: Gratuita
- Duração sugerida: 1h30 a 2h para explorar com calma
- Melhor época: Outono (folhas coloridas) e primavera (flores nos túmulos)
- Mapa: Disponível gratuitamente na entrada
- Acessibilidade: O terreno tem desníveis e caminhos de pedra — pode ser difícil para cadeirantes em partes do cemitério
Perguntas Frequentes sobre o Cemitério de Montmartre
O Cemitério de Montmartre é tranquilo ou cheio de turistas?
Muito mais tranquilo do que o Père Lachaise. Nos dias úteis pela manhã, você pode passar longos trechos sem ver ninguém. Fins de semana têm um pouco mais de movimento, mas nada comparável ao Père Lachaise.
É possível visitar sem guia?
Sim, facilmente. O mapa na entrada indica os túmulos mais visitados. O Google Maps identifica bem o cemitério internamente e ajuda a navegar entre os setores.
Vale contratar um tour guiado?
Depende do interesse. Os tours focados em Dalida são populares e contam a história da cantora com detalhes que um mapa não oferece. Para quem quer apenas passear e absorver o ambiente, explorar por conta própria funciona perfeitamente.
Há outras atrações próximas?
Sim. O Moulin Rouge fica a menos de 5 minutos a pé. O bairro de Pigalle está logo abaixo. E o Sacré-Cœur, a cerca de 15 minutos subindo — dá para combinar tudo num roteiro de meio dia bem aproveitado.
O cemitério tem café ou sanitários?
Não há café dentro do cemitério. Sanitários existem mas são básicos — convém passar antes de entrar. Há vários cafés e padarias na Avenue de Clichy e nas ruas próximas à entrada.
O Cemitério de Montmartre é o tipo de lugar que muitos visitantes ignoram na pressa de subir ao Sacré-Cœur, e que quem entra acaba ficando mais tempo do que planejava. É silencioso, bonito na melancolia que lhe é própria, e cheio de histórias que Paris raramente conta em voz alta. Para quem gosta de caminhar devagar e olhar com atenção, vale cada minuto.






